quinta-feira, 7 de abril de 2011

surto 1,4

-- Alô? Aqui é de Viçosa, do Centro Médico da Universidade Federal de Viçosa. Falo com o Senhor Célio de Almeida, pai do aluno Eros Ricardo Ramos de Almeida? – ligara o médico, na frente de André e Flávio.
Diante da resposta afirmativa, o diálogo prossegue:
-- Seu filho acabou de tentar o suicídio. Se eu fosse o senhor, viria para cá o mais rápido possível – dizia, do outro lado da linha, uma voz dura e asséptica que se identificara como sendo a de um tal de dr. Fernando.
Eu não imaginava o que aconteceria, mas que algo extraordinário me estava reservado pra aquela noite de abril de 1980, não tinha a menor dúvida.
O ritual de saída de casa foi o seguinte: uma das tábuas do estrado de minha cama tinha se quebrado. Achei aquilo extraordinário (???), cuidei de arrancar a tábua, parti em quatro pedaços e cruzando-os fiz um simulacro de fogueira. Em cima da “fogueira”, botei o cesto de lixo que mantinha do lado de minha escrivaninha. E joguei na fogueira tudo que pudesse me linkar com o mundo formal. Joguei fora minha carteira de identidade, meu CPF, minha carteira de motorista (é, embora nunca tenha dirigido, eu tinha uma), título de reservista...
Minha sorte é que no momento em que “incendiava” minha vida pregressa, André e Flávio estavam no meu quarto. André me perguntou, com a fala mansa de quem conversa com um doido.
-- Será que eu posso pegar isso, já que não vai precisar mais destas porcarias? – André se abaixou e pegara todos meus documentos.

Embora próximo ao auge de um colapso nervoso, disse-lhe que pegasse o que ele quisesse. Não sei que disco rolava no meu quarto – era 1980 e eu tinha centenas de vinis. Podia ser um álbum do Steve Howe, que André adorava, o primeiro disco do 14 Bis, que pertencia ao Flavão. Mas o mais provável é que no três em um cavalar da Panasonic que trouxera de Volta Redonda, estivesse rolando “Quatro”, disco de Sá & Guarabira, trilha sonora mais constante de minha aventura.
Isso era mais de 5 da tarde. Em seguida, tomei banho e me perfumei todo. Voltei para o meu quarto, enrolado numa toalha. Já vestira a cueca; deixei a roupa em cima da minha cama, onde também repousava o baixo de Fernando Moita, um sujeito gente ótima que me emprestara o instrumento, que eu cismei de aprender a tocar. Enchia o saco de André e Flavão, tocando ou melhor, tentando tocá-lo quatro, cinco horas da manhã – havia um amplificador no imenso três em um.
Sempre achei o instrumento fantástico, achava o Chris Squire, baixista do Yes, um instrumentista maravilhoso. Trouxera-o para casa depois de passar uma tarde na casa de Moita, que era de Belo Horizonte e morava sozinho. Foi uma tarde agradabilíssima, conversamos sobre tudo; eu, ele e a namorada dele, cujo nome me esqueci. Eu, com o tom apostólico como quem prega no deserto, ou melhor, num apartamento na periferia de envolvente, encantador, bem diferente do sempre hesitante Eros. Eu não falo, hesito. Sempre foi assim, com exceção daqueles dias de outono de 1980, quando tratava qualquer assunto com surpreendente argúcia e mandava na lata, tinha opinião firme sobre tudo e todos e medo algum do erro.
Voltando à vaca fria – serão constantes estes desvios de rota narrativa nestes posts – botei uma calça azul bem escuro e minha melhor camisa – uma de algodão, marrom, linda, que tinha comprado numa Toulon, que ficava num centro comercial que se notabilizara por ter uma cascata, próximo à Galeria Menescal, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. E calcei um sapato de couro preto sem cadarços.
Estava bem vestido, como jamais estive em Viçosa, onde sequer havia lugar para ostentar uma roupa melhorzinha que fosse. Só tinha botequins na cidade; nunca vi beber tanta cachaça. A “jecaida” toda da UFV – como André costumava referir-se aos alunos da universidade – adorava encher a cara e, a rigor, era este um dos únicos programas da cidade.
O fato é que eu estava o mais bonito quanto um sujeito feio pode ficar (naquele tempo não havia estes recursos estéticos que os cirurgiões dispõem hoje). Para culminar o belo instantâneo de mim, tratei de levar o baixo do Fernando – bateu uma urgência feroz de devolver-lhe o instrumento, mais um sinal que algo estranho me aconteceria naquela noite – fora daquele sarcófago que é o estojo onde jaz os baixos e as guitarras. Como o Moita me emprestou o baixo sem a correia que o baixista usa para pendurar o instrumento no dorso, tratei de improvisar. Sabe aquelas redes amarelas que são usadas para carregar tangerinas e/ou utilizadas para manter cabelos pixaim mais lisos? Pois peguei quatro dessas intactas (havíamos pegado várias num sujeito que vendia mexericas na nossa rua), uni-as bem presas e improvisei uma correia muito da bonita e funcional.
Pois foi com um baixo cruzado no peito e com minha camisa mais bonita que sai rumo à escuridão ou à claridade totais (depende do ponto de vista). Impecável com o belo instrumento encravado no tórax desci minha rua e cruzei outras até chegar ao calçadão de Viçosa. Era numa pequena rua de pedestres, com algumas lojas e pequenos prédios o apartamento habitado por Patrícia Bustamante (conterrânea de Volta Redonda), Denise Formoso (de Belo Horizonte) e Verinha (de Mogi das Cruzes). Havia uma quarta menina que dividia o apartamento com as três, mas não tem jeito d’eu me lembrar quem era.
Sei que no caminho devem ter mexido comigo, mas segui impávido até chegar ao meu destino. Não sei por que, mas tinha que ir naquele exato momento, com roupa de domingo, embora fosse sábado, ostentando um baixo fora de seu sarcófago. Acho que me imaginava como um super-herói, tamanho o poder catalizador que eu tinha. De fato, carisma não me faltava naqueles tumultuados dias.
Subi rapidamente as escadas e bati na porta do apto. 302, já me anunciando. Quem abriu foi Cláudio Lyra, um sujeito que há anos morava em Belo Horizonte, mas não se livrara do carregado sotaque nordestino (era natural de Recife). Dentro do apartamento, as três meninas, mais Maria, Jorjão (ou Georjão, já que chamava-se George),Tiago e Fernando. Todos eram calouros, com exceção de Maria e Fernando, que assim como eu, tinham entrado na universidade no ano anterior.
-- Ué, o quê que você está fazendo com esta guitarra no peito? – perguntou-me.
-- Para o seu governo, isto é um baixo, Cláudio
Lira – disse, dando-lhe um simulacro de abraço e beijando-lhe o rosto, o que denotava extremado carinho com o cara, acelerado que só, a quem vivia dando conselhos, feito irmão mais velho.
Todo mundo se reunira na mesa de centro da sala. Conversavam ainda com a sofreguidão dos recém-conhecidos. O encanto que a novidade (a chegada à universidade e a um universo completamente diferente dos dias vividos sob à custódia dos pais) ainda calava forte entre os calouros. O sentimento ganhara força com aquela greve jogada assim nas fuças. Só aquele chacoalhar de mentes, corações e ossos poderia justificar inusitados romances, como o entre Medonha (um paranaense barbudo e de óculos, que fazia plena justiça ao apelido) e a patricinha paulista Verinha.
O assunto que mobilizava o povo e motivava discursos inflamados era, obviamente, a continuação ou o fim da greve. Cláudio Lira, com sua fala veloz e rouca, e acentuado sotaque estava defendendo, aos berros, a permanência da greve. Discutia com Verinha.
-- Ei, ei, dá para conversar sem berrar? – dizia Verinha, que esperou Claudio se calar para prosseguir. – Eu já estou de saco cheio desta greve. Isso tudo por causa de um aumento de três dinheiros (nem imagino que moeda era) no preço do bandejão!! Rídiculo!! Segunda-feira, eu volto às aulas. Vou furar esta maldita greve!!
No momento da discussão com Claudio, vários segundos depois de eu ter entrado no apartamento foi que Verinha reparou em mim.
-- Oi, Verinha – disse-lhe, me inclinando para os beijinhos convencionais. – Vem, senta com a gente. Vim mostrar um troço para vocês. Vem!!!!

Verinha me olhou de maneira estranha, mirando o baixo que trazia atravessado no peito com se fosse uma cruz. Começou a chorar, tapando a boca com o dorso da mão direita e saiu correndo para seu quarto onde se trancou lá.
Nem deu para contê-la. Vendo minha cara de espanto, Denise Formoso gesticulou para eu não ligasse para a reação de Verinha.
Depois de ter beijado todos na sala, pedi que todos sentassem. A rapaziada me obedeceu imediatamente e aí eu comecei um solo de baixo. Aí me disseram o óbvio: o instrumento estava desplugado. Era impossível ouvir qualquer coisa, ainda que fizesse algum sentido as notas que eu solava – o que não fazia sentido algum, eu não sabia tocar xongas; como músico era um excelente ouvinte.
-- Mas sabe por que vocês nunca vão me ouvir? – perguntei só para responder. -- Porque este instrumento é um baixo. E ninguém repara no som de um baixo – eu afirmava irresoluto como se todos conspirassem contra o baixo.
E tinha uma carga emocional forte em cada palavra pronunciada. Falava como se aquilo tivesse realmente importância. Quando acabei de falar, estava de pé. Acho que minha fadiga mental dava sinais visíveis de sua presença. Tanto que Patrícia, Denise, Jorjão e até o acelerado Cláudio Lira pediram-me calma, mas àquela hora eu estava a mil. Não cabia, com minha agonia inflada, naquela sala, naquele prédio. Acho que não cabia no mundo, e em minha angústia, tinha que sair dali imediatamente.
-- Fernando, cê conhece o Moita, não? É um cara barbudo, entrou com a gente... Tskkk, é claro que você conhece. Fazemos aulas juntos no prédio de biologia! Semana passada, estávamos os três no piquete do prédio de Solos. Conversamos um tempão -- disse, no que Fernando concordou com a cabeça.
-- Me faz um favor? Devolve o baixo pra ele. Fala que o estojo tá lá em casa, prele pegar depois – disse, me livrando do belo instrumento, e me encaminhando pra porta do apartamento.
-- Ei! Ei! Espera...Mal chegou, já tá indo. Fica com a gente – pediu, palavras trotando, Cláudio Lira.
-- Num dá, Cláudio. Tenho que pegar um ar. Preciso ver a lua – gritei-lhe do corredor, sem diminuir o passo e descendo os três lances de escada.
O prédio das meninas ficava mais ou menos no meio do calçadão de Viçosa, Quando sai do edifício rumei diretamente para o campus da universidade. A cidade divide-se em duas: aquém e além pórticos da U.F.V.. E meu primeiro endereço em Viçosa foi na última casa habitável (?) do lado esquerdo de quem está indo do centro da cidadezinha para a universidade.
Não era longe: pouco mais de cinco minutos de caminhada e já estava no campus. Logo quem entra na UFV dá de cara com um belo lago – que não existia quando fui estudar lá, em 1979. Por isso, vislumbrei o reflexo da lua medonha de tão linda no lago artificial. A noite estava particularmente agradável.

Deserto o campus. Alguns gatos pingados no clube do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que se constituía de um barzinho e uma piscina guarnecida por cercas vivas, heras que subiam em cercas de arame. Passei direto e fui até um velho e imenso casarão de madeira onde ficavam, divididos em várias salas, os centros acadêmicos de agronomia, engenharia florestal, veterinária, zootecnia e um monte de outras disciplinas. Além de estarmos em meio a uma greve que paralisara a universidade há quase três semanas, era sábado. Mas até que o DCE estava com bastante gente – naqueles dias de greve as portas do barracão ficavam abertas até meia-noite, uma hora e meia a mais do que o horário usual.

Logo na entrada do casarão de madeira ficava uma acolhedora sala de leitura, com vários “paus” (como são chamadas as coleções de jornais) de diários do Brasil e as principais revistas semanais do país. Era estranho, mas a sala ascendia um cheiro desafiador à repressão. Como se informar-se, estar a par das notícias veiculadas pela imprensa fosse um ato de subversão.

Entrei pelo barracão adentro até me deparar com Noel, um agitador profissional – cara e tipo físico muitos semelhantes alo de Tom Zé – e com Jair, presidente do CA de agronomia. Tinha mais uns caras na sala do CA, gente do comando de greve. Entrei no CA já capitalizando atenções. Depois de breves cumprimentos, perguntei na lata:
-- E aí, Noel, cê acha que a greve emplaca mais uma semana? Acho que quem estava pouco ligando para a greve, começa a ficar temeroso com a possibilidade de perder o semestre. Acho que a assembléia de segunda-feira vai ser contrária à continuação da greve.
Noel era a própria encarnação da greve. Ninguém, nem os caras que andavam com ele, ousavam questionar a legitimidade da greve ou aventar a muito forte possibilidade da greve fracassar. Como realmente fracassou na segunda, quando todo mundo que era contrário à greve foi à assembleia e sufragou o fim da paralisação, enterrando de vez o sonho anárquico de Noel.

A reação de Noel à minha pergunta foi surpreendente. Soltou uma sonora gargalhada e deu de ombros:
-- Se for isso mesmo que estes burgueses de merda querem...A assembleia é soberana.

Nisso eu fiz um gesto, pegando-lhe a mão e pedindo que fizessemos, os cinco presentes no CA, uma corrente de mãos dadas. Noel tomou minha atitude com um sorriso nos lábios. Não sei se tomou meu gesto como uma tola iniciativa de um tresloucado garoto, passível, portanto, de um tico de simpatia, outro tanto de paciência. Sei que esbanjou os dois sentimentos, artigos raros no sempre sisudo Noel. Findo a estranha corrente, não fossem os caras do CA e Noel ateus e à toa -- principalmente à toa – convictos, despedis-me deles e continuei seguindo.
Não conseguia parar – um sintoma da paranoia maníaco-depressiva que me fazia ora acelerar muito ora brecar bruscamente. Estava num momento “desce a ladeira” e do diretório, passei pelo prédio antigo, de 1926, onde ficava a secretaria da UFV. O edifício, lindo, ganhara uma companhia ainda mais linda àquela noite: uma lua cheia e plena, que ganhava em imensidão com a parca luminosidade da pequena cidade.

Havia, em frente ao prédio da secretaria, um vasto e bem cuidado gramado. Para evitar que cortassem caminho pisando na grama, a administração da secretaria botou dois passeios de pedra, para que os mais afoitos cortassem caminho sem pisar no jardim. Mas havia, acho que hoje não há mais (estranho!), serenado e a grama orvalhada era um convite irresistível a pés descalços. Tirei meias e sapatos, coloquei-os no atalho de pedras e andei descalço, sentindo o doce farfalhar da grama molhada nos pés. Açodado pela incrível lua, aquele momento era de êxtase poético.

Sai caminhando pelo gramado quando vi, próxima à via que corta o campus, a avenida P. H. Rolf, que ganha status quando invade a universidade, uma placa que indicava a direção do prédio da secretaria e o DCE, entre outros destinos, completamente fora do prumo. A base acimentada da placa brotava da bem tratada calçada da UFV e a placa estava completamente torta. Aquilo destoava do bem cuidado campus da universidade. E naqueles tempos, eu estava que era maniqueísmo puro: ou bem a placa ficava erguida ou bem ficava no chão, tombada. Então tratei de tentar derrubá-la, me pendurando na placa e a forçando para baixo.

Estava nesta obstinada lida quando um fiat uno da Segurança Interna da universidade, passou na pista no sentido UFV-Viçosa, vagarosamente, fazendo a ronda noturna. Eles (eram quatro) me viram e eu a eles.
A partir dos pórticos que delimitam o começo da UFV e, consequentemente, o fim da cidade, a pista da avenida P. H. Rolfs continua com a mão-dupla. Só que passa a ser dividida por canteiros com azaléas de várias cores, além de ostentar um asfalto impecável.
A confusão e a pobreza que marcam a avenida ficam restritas à cidade mineira. De tempos em tempos, as belas divisórias eram interrompidas por rotatórias (palavra que só existe no léxico paulista).
Pois sem fazer alarde algum, mantendo a velocidade baixa, os caras da Segurança Interna do campus deram a volta na rotatória mais próxima da placa comigo em cima. Vinham devagar, sem fazer alarde, com a finalidade de me surpreender. Mas surpreendidos ficaram os guardinhas ao me verem abandonar a placa e caminhar descalço em direção ao fiatzinho. Ficaram aturdidos quando me viram escalar o carro e no alto dele, começar a pular sobre a lataria. Acho que pulei umas quatro vezes, até que o guarda que dirigia o carro conseguiu perceber o que acontecia e acelerou. Ao contrário do que eu imaginara, o Super-Homem aqui se esborrachou no chão. Mas tão logo eu vi as luzes de freio do Fiat se acenderem, eu imaginei que os caras dariam ré e me atropelariam, me levantei antes de berrar um ai.
Os quatro saíram ainda atônitos do carro.
-- Calma, amigo. Está tudo bem ¬– disse-me o que parecia ser o chefe do grupo, enquanto cochichava para os outros três, que me cercavam: -- Ele deve estar emaconhado.
Eu, apesar de tão intempestivo ato, guardava a serenidade habitual. Se havia algum descompasso cardíaco, era fruto ocasional daquele belo susto que dei nos guardinhas da universidade.

Sei que os caras me agarraram como se eu oferecesse uma imensa resistência. Eu não mexi músculo. Sempre seguro pelos guardinhas, fui colocado na viatura e seguimos, espremidos, no Fiat de teto amassado para a Central de Polícia do campus.
Lá fui trancado num ginásio poliesportivo, já que os casos mais frequentes de desacato eram casais que se agarravam escondidos pelo verde abundante do Recanto das Cigarras, uma área cheia de árvores e aberta ao lazer comunitário.
Bem, depois de algum tempo, entrou o tal dr. Fernando dos primeiros parágrafos. Conversamos, mas não me lembro do conteúdo.
A última imagem daquela noite que me restou na memória, foi d’eu enchendo o saco do chefe dos guardas. Eu queria ganhar uma porrada do guardinha. Ainda que não fosse alguém expressivo da repressão, a função de Segurança Interna é, por si só, coerciva. Na minha cabeça mareada, eu precisava ganhar uma porrada, para pintar como o agredido, para posar de vítima, para dizer que sim, já ganhara porrada da polícia!! Era algo que fazia falta no meu currículo de esquerdista. Então, trancado no ginásio com os guardas, provocava o comandante do quarteto, atirando-lhe no rosto minha cara e bela camisa da Toulon.
-- Sabe esta merda de camisa? Custou metade do seu salário – zombava eu.
E o cara me devolvia a camisa.
Para eu atirar-lhe, de novo, na cara.
-- Rasga esta camisa, mané. Vai, coragem – voltava eu à carga..
Tanto enchi o saco do guardinha, que ele me deu o tão aguardado murro e rasgou minha camisa.

Isso aconteceu antes de eu apagar e o tal médico ligar por volta das 2h da manhã pro Celinho, deixando-o apavorado.

9 comentários:

  1. acho que seu comentário é um tanto quanto suscinto...tá bem escrito? ou é muito de talhista? muito longo? espera que continue assim nos outros posts? fala um tiquinhol mais,,,

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  2. Bem escrito e realmente criando expectativa.

    Daí, "tenso", hehe.

    E dessa vez não vi um trecho pra zoar.

    De repente tu dá um mole na próxima vez.

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  3. putzs, foi tão lacõnico, que achei que tinha achado ruim...só que estou escrevendo como escreveria para cinema... um imenso flashback depois de começar com uma sequ~encia-climax.

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  4. Ah, Eros, pensei que fosse desnecessário dizer que você escreve bem à beça... Se não mencionei isso até agora é porque essa qualidade sua não me surpreende, pois é antiga, pública e notória.
    Adorei o blog. Posta mais, por favor.
    Alexandre Santos

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  5. o começo, que tu chama de "sequência clímax", eu chamo de "teaser".

    aquilo necessário pra fisgar o público em dramas épicos.

    só achei que se trata de um "falso teaser", que nem os "falsos ganchos".

    mas, e daí? tu fisga pelas palavras: tanto quanto querer saber o que vai acontecer pra chegar àquele ponto, quero ver como você escreve até lá.

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  6. Grande Eros, achei ótima a história. Um pouco longa para um post, mas muito boa. Fui até o final curioso para saber a razão do suicídio. Talvez se vc dividissem em capítulos ficasse melhor. Abrs

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  7. vou postar, alex. este surto1.4 é apenas o primeiro de uma série de quatro. é que no momento estou num post para o outro blog. e não espere rapidez. tem vezes que passo um mês sem postar xongas.

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  8. Agostinho

    não tenho a preteensão, nem a necessidade, de ser suscinto.l isso é coisa de jornalista, e dos bons. como posso me dar ao luxo de escrever MUITO (concordo que seja este o maior entrave à uma procura maior ) vou escrever muito. e isto não é uma ficção. sua dica de picá-lo em vários é boa, mas infelizmente incompatível com o meu proposito.

    um abraço imenso.

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